Eu quero um cigarro
E eu não quero conversar
Eu não quero mais te ouvir falar que vai embora
pra logo depois voltar
Eu já estou cansada de estar aqui
Eu já cansei de ter que me explicar
pra alguém que chegou pro bem, mas não soube ficar
Eu não quero rimar pobres, eu nem gosto de rimas
mas elas andam fluindo na minha mente
Estou tremendo
mas não vou demonstrar
Minha força se mantém no olhar
Um sorriso no rosto, cabeça erguida
Mesmo em lágrimas nada me tira do meu lugar
Eu sei o que eu fiz, mas não peço perdão, não preciso de perdão.
Eu sei também das pedras que me atiraram
as que mais machucam são as de pura injustiça
Mas eu não reclamo, pelo contrário
se quiser me culpo, me curvo
Antes feliz consigo mesmo do que sentir-se injustiçado
eu pensei em ir lá fora
Respirar o vento,
sentir ele tocar minha pele,
me fazer arrepiar,
e quem sabe um dia, eu ainda volto.
Quando for a hora eu prometo que estarei lá.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
vôo
Eu dou um salto no escuro
De um trem que teima em não me deixar em pé
Eu ando por lugares que desconheço
Pelo vazio do céu
Mas essa noite eu não estou sozinha
Tem alguém ao meu lado
Cujo sorriso faz meu coração dançar no peito
Mas eu não consigo ver seus olhos
O brilho do seu olhar desvia algoz do meu
Então olho pra baixo
A cidade dorme sob meus pés
E é tudo tão bonito
O mar tão violento só me parece água na areia
E nada mais me atinge além daquele brilho de um olhar desconhecido
Tudo é leve, suave e desaparece.
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