Frente a casa de minha avó, do outro lado da estrada há uma floresta densa, com apenas uma pequena trilha , com árvores altas e escuras de copas frondosas, com outras plantas menores parecendo se apoiar nas mais fortes. Bom.. pelo menos assim que eu me lembro. Quando pequena eu temia muito aquela floresta. Uma vez entrei mais além do que tive coragem, espírito adolescente querendo ser maior que o medo. Um silêncio incrível fazia la dentro eu me recusava a tirar o olhar da trilha, puro medo. Medo de me perder, medo de cair,visto que manter equilíbrio nunca foi uma coisa muito fácil pra mim.
Quando o silêncio dominava tudo, vi um grande tronco caído no meio da minha trilha. Me sentei ali e me virei de frente para o caminho de onde viera. Os únicos sons naquele lugar era do vento passando nas copas muito acima da minha cabeça e de poucos pássaros que eu não conseguia enchergar. Fiquei bom tempo deslumbrando o silêncio e minha falsa coragem de ir tão longe. Observei que a floresta havia escurecido mais, e ouvi um barulho parecendo chuva em algum lugar, mas não me molhava, talvez por causa das árvores. Me levantei para voltar procurando a trilha, por um momento eu não encherguei mais a trilha e o desespero tomou conta de mim a ponto de eu conseguir ouvir meu coração descompassado. Talvez pelo próprio medo meus olhos não me permitissem enchergar perfeitamente a trilha, era como se houvessem várias pequenas trilhas na minha frente. Mas o orgulho era forte. Apesar da grande vontade de correr pra encontrar a luz apenas caminhei rápido para frente. Senti que estava demorando mais do que o tempo que levei para entrar na floresta , o caminho errado talvez!? Mas quando acelerei mais o passo quase correndo , consegui ver a claridade entre alguns toncos mais a frente. E finalmente consegui ver a casa de minha avó. Não contei a ninguém onde estava, nem o que aconteceu. Cresci com vontade de voltar até a floresta e ir mais longe, passar mais tempo sozinha com meus desvaneios.
Nunca deixei de ter medo, nem de cair, nem de estar sozinha, nem do escuro, nem da chuva, nem animais, monstros, humanos... mas enfrento todos. Ao menos com minha falsa coragem, me engano muito bem.
Mostrando postagens com marcador infancia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador infancia. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
domingo, 22 de novembro de 2009
acinzentadamente
Olhando o relógio, nem sei que horas são, ele já está parado a muito tempo e só agora acho que eu realmente sentí necessidade de consertar. Talvez porque só agora eu tive tempo para notar ele, mas eu acho que vou deixar assim por mais algum tempo.
Tempo...
Quanto tempo eu já estou aqui esperando eu não sei. Mas eu não me importo , eu não estou reclamando, tem certas coisas que eu aprendi a conviver com elas, a espera, o tédio, a solidão, são coisas que se aprende a conviver. E eu não me importo mais com isso.
Mas eu queria aprender a conviver com a desconfiança. Vinda de todo lugar e de toda forma, até das formas que nunca deveriam estar lá.
Penso nas vidas que cercam a minha, como será que estão todos nesse momento, será que alguém também está pensando na minha vida?
Tão escura a noite lá fora, e uma luz acesa ilumina a minha árvore amarela.
Amanhã começa minha vida monótona de novo, adeus relógio parado, adeus árvore amarela, é tão impressionante como isso que chamamos de viver nos faz deixar de ver a vida. Quando eu era criança eu costumava brincar a tarde toda, notando cada mudança de tempo, cada objeto mudado de lugar, cada cor de borboleta nova no jardim. Meio-dia eu ia olhar a flor-do-meio dia, quando ela estava aberta eu ficava conversando como se ela fosse uma amiga. A planta que dava a flor-do-meio-dia morreu, e eu não ví, a vida não me deixou ver. E o tempo eu olho na meteorologia, os objetos eu mesma mudo de lugar (e nunca sei onde estão) e as borboletas desapareceram por causa da poluição.
E minha vida, (que para muitos era solitaria) mas que eu amava tanto, ficou cinza, cheia de gente, que pisotearam tudo e tudo ficou desbotado.
E agora eu estou olhando pra uma tela, com palavras tristes, ouço sons tristes e eu estou esperando o que eu sei que não vai chegar, depois eu vou, tomo um banho, durmo, acordo para um dia movimentadamente acinzentado. Cheio de brigas, desconfianças, medos, esperas, risos ... risos tão acinzentados que eu tenho vergonha de rir. E todos dizendo que isso é o bom da vida.
Eu preferia viver minha solidão graciosamente doce e bonita.
Marcadores:
acinzentada,
cinza,
desconfiança,
espera,
infancia,
solidão,
tédio,
tempo,
tranquilidade,
vida
Assinar:
Postagens (Atom)
