Desde o começo eu nunca soube muito bem onde isso me levaria. Nem sei se queria realmente ser levada. Tudo bem, você pode me dizer que todos são assim. Mas eu não sou. Eu sempre quis alguma coisa, ou não queria nada. E quando eu queria, eu queria. E não importa tempo, tudo se concretizava.
Mas isso eu comecei de forma errada, ou de forma contraria ao meu costume. Me deixei levar... De verdade confesso que eu não queria. Mas fui me envolvendo, me levando e me enganando que queria sem querer. Eu me enganei por prazer. “Prazerzinho” confortável. Então me perdi nessa linha tênue , afinal eu queria ou não?! Já não sabia mais. Para não ficar dúvidas, decidi que queria. Mas certeza de nada tinha.
O tempo passando, meu Deus como o tempo passou. Agora conto cada gota de chuva. Cada suspiro meu. Cada música. Cada traço de pessoas nas ruas que me fazem lembrar. Cada tampinha de garrafa. Cada foto e sorriso sincero.
Meu sorriso ficou mais sincero. Não era pra ser ao contrário?! Quanto mais você vive mais triste você fica? Achei que era assim com todos. Mas não me permiti ser assim. Acho que nunca fui como todos. Tive um infância um tanto quanto platônica, acredito eu que infância é a base do que nos tornaremos. Quis me desprender essa “platônice” e me rebelei. Fui rebelde, daí cansei. Encontrei a linha azul-piscina dos seus olhos. Me admirei com cada detalhe do seu ser que me apresentou. Cada linha daquele olhar me contava contos encantados que eu admirada tenho prazer em assistir. Fui ficando encantada como uma criança que vê um mundo de fadas, gatos de botas e tantos outros animais coloridos e falantes.
Algo em mim foi se iluminando ao longo do tempo. E mesmo que as vezes eu tenha crises do sofrimento adulto, eu tenho em mim alma de criança. Alma de menina maluquinha que rouba um pouco de carinho e sai correndo mundo a fora.
Minha meninice me faz olhar ao sol, só para sentir a luz penetrar pelos olhos, sentir tudo mais iluminado mais claro. Me faz olhar todos os dias para aquela casa que tem um monte de gatos. Ah, como eu queria entrar lá um dia! Me faz sorrir pra e fazer brincadeiras bobas e travessas como uma menina que eu não fui.
Então percebi que minha vida é um pouco desorganizada. Estou vivendo que deveria ser quando criança. Fui uma criança velha, platônica, quieta, calma. Fui uma adolescente jovem. E de resto apenas espero pra ver. Sinto em mim, toda vida pulsando. Toda calma sorrindo. Toda alegria carinhosa.
E tudo sempre será como tem que ser.
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
domingo, 22 de novembro de 2009
acinzentadamente
Olhando o relógio, nem sei que horas são, ele já está parado a muito tempo e só agora acho que eu realmente sentí necessidade de consertar. Talvez porque só agora eu tive tempo para notar ele, mas eu acho que vou deixar assim por mais algum tempo.
Tempo...
Quanto tempo eu já estou aqui esperando eu não sei. Mas eu não me importo , eu não estou reclamando, tem certas coisas que eu aprendi a conviver com elas, a espera, o tédio, a solidão, são coisas que se aprende a conviver. E eu não me importo mais com isso.
Mas eu queria aprender a conviver com a desconfiança. Vinda de todo lugar e de toda forma, até das formas que nunca deveriam estar lá.
Penso nas vidas que cercam a minha, como será que estão todos nesse momento, será que alguém também está pensando na minha vida?
Tão escura a noite lá fora, e uma luz acesa ilumina a minha árvore amarela.
Amanhã começa minha vida monótona de novo, adeus relógio parado, adeus árvore amarela, é tão impressionante como isso que chamamos de viver nos faz deixar de ver a vida. Quando eu era criança eu costumava brincar a tarde toda, notando cada mudança de tempo, cada objeto mudado de lugar, cada cor de borboleta nova no jardim. Meio-dia eu ia olhar a flor-do-meio dia, quando ela estava aberta eu ficava conversando como se ela fosse uma amiga. A planta que dava a flor-do-meio-dia morreu, e eu não ví, a vida não me deixou ver. E o tempo eu olho na meteorologia, os objetos eu mesma mudo de lugar (e nunca sei onde estão) e as borboletas desapareceram por causa da poluição.
E minha vida, (que para muitos era solitaria) mas que eu amava tanto, ficou cinza, cheia de gente, que pisotearam tudo e tudo ficou desbotado.
E agora eu estou olhando pra uma tela, com palavras tristes, ouço sons tristes e eu estou esperando o que eu sei que não vai chegar, depois eu vou, tomo um banho, durmo, acordo para um dia movimentadamente acinzentado. Cheio de brigas, desconfianças, medos, esperas, risos ... risos tão acinzentados que eu tenho vergonha de rir. E todos dizendo que isso é o bom da vida.
Eu preferia viver minha solidão graciosamente doce e bonita.
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