.
Seus olhos procuravam incansáveis algo em que se fixar. Senta a janela do ônibus e observa atentamente a cidade, o compassar descompassado das pessoas caminhando, a correria, os outdoors, as luzes, as cores. E observava aquilo tudo com olhar julgador, os sorrisos eram tão escassos que chegou a imaginar que a importância de uma foto não é a beleza, e sim eternizar um momento de felicidade já que se é uma coisa pouco vista. Chegou a notar alguns olhares em sua direção, mas os ignorava agora.
Turbilhões de pensamentos, e ainda ficava tentando imaginar a vida de alguns. E se lembrava de sua própria vida. Problemas , procurava esquecer, pelo menos os seus, pelo menos agora.
Sentia até mesmo um certo desconforto em pensar que poderiam estar tentando imaginar seus pensamentos, é bom poder se reservar ao menos eu seus próprios pensamentos.
Se tortura ao pensar que poderia estar errando, um suspiro e tentava voltar aos outros a sua volta.
Pensava na noite passada, o cheiro ainda estava em sua pele. E as lembranças de coisas que aconteceram e de coisas que gostaria que tivessem acontecido, se misturavam formando um aperto no peito.
Toda vez que fechava seus olhos, lembrava daqueles outros olhos, verde-azulado-avermelhado.
Desceu e sentou-se na primeira mesa que viu no canto mais escuro do bar. Fumou como se aquele pudesse retirar tudo de dentro de si. A escuridão agora não lhe atrapalhava, podia ver perfeitamente todos e pouco podia se ver de sua mesa.
Alguém se aproxima e senta eu sua mesa, diz alguma coisa mas a musica e o burburinho não permite ouvir uma voz em tom tão baixo. Em fim, olha quem era aquela pessoa ousada, por um momento chega-se a ver os olhos verde-azulado-avermelhados, não consegue mais enchergar quem é. Mas a pessoa se volta e diz “- a lagoa é sua!” .
Estava espandada agora, era novamente aqueles olhos, e tinha certeza. Não disse nenhuma palavra e o impressionante estranho se levanta e diz: “-Agora vamos !". Os dois deixam o bar. Ela não pensava mais em nada.
d-_-b => How Soon Is Now (Italian William) - the Smiths
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ele fica lá sentado do outro lado da rua,
com o skate numa mão e uma história de vida para poucos, na outra.
Ela o observa atentamente, mesmo de longe
as vezes ele a assusta, ela é misteriosa, por mais que conte da sua vida, ela continua com aquele ar.
Sabe-se que ela não contou nem a metade. E não contará.
O que os dois tem em comum?
A capacidade de impressionar e afastar as pessoas, mas não é um afastar de corpos, um afastar de mente, uma coisa única que se aprende após se sofrer muito.
Os olhares valem muito mais que palavras, eles também já sabem disso.
Cigarros agora são proibidos, ao menos neste último momento.
Ela se preocupa muito com as opiniões dos outros. Mas não admite que procurem outra dentro dela.
Ela tem nojo de si mesma, de suas idéias, ele gosta de estar sempre certo.
Ela não o ama, não mais.
Outro veio e lhe propôs um sentimento que ela não conhecia, em troca ela lhe entregaria o seu coração.
Agora este outro ocupa os pensamentos mais sangrentos dela e ela ainda não compreendeu o sentimento. Mas gosta.
Isso seria errado?
E quem disse o que é certo ou errado?
Ele fala em ética, mas ética e uma coisa relativa, como ele pode ter tanta certeza das besteiras que fala.
E todo dia o mundinho dela desmorona, assim como todos os seus sentimentos, alterados, corrompidos, infectados.
O outro agora diz precisar ir, mas deixa o luar e a lagoa, assim como os beijos cheios de sangue que ela tanto gosta. Ele sabe que assim ela não o esquecerá. Nunca mais.
Mas quem a tem?
Por inteira... ninguém.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Silly Girl
Choro escondido, escondendo de mim mesma meu próprio choro.
Sou tão egoísta e não ao mesmo tempo.
São tantos eus, mims. E na cabeça nenhuma real preocupação comigo, está tudo guardado no coração.
É mais ético, sensato, saudável se preocupar com os outros atrávez da razão.
Sim, eu realmente sinto aquela música como se fosse para mim. Acho que é a forma como ele me vê.
Ele sempre aparece nos meus textos. Mas ele é tão irreal quanto dizer somente verdades. E ele muda. São vários eles. E não é ninguém. E eu amo ele, e em todas as suas formas, pessoas, e em todas as minha imaginações.
“...So if you're lonely why'd you say your not lonely
Oh your a silly girl, I know I hurt it so...”
Palavras, são apenas palavras. Suspiros, olhares, musicas, flores, sorrisos, expressões, silêncio, abraços, mãos, inquietude, cores, sentimentos... Essas coisas e algumas mais dizem mais que palavras.
Se falta alguma coisa?
Sinceramente não, do fundo do meu coração, não me falta nada. O desejo ocupa os espaços em branco, mas o desejo não me domina, não me muda em nada.
Ele é tão romântico quanto minha chícara vermelha e branca , cheia de café ou chocolate no frio. Sim, ele é assim. Eu gosto disso assim. É todo fingimento, finge não se importar, mas eu sei que é só uma arma para afastar a tristeza. Todos temos armas para alguma coisa. Apesar de eu não gostar, também tenho as minhas.
Talvez só eu o veja por esse lado, talvez nem ele saiba que tenha esse lado. E quando eu não respondo é porque achei bonita a forma dele falar. Eu me lembro dos outros, ele é tão diferente, ele talvez foi o único que conseguiu prender minha atenção por muito tempo. Ele é o único que eu vou custar a esquecer. Ele é o único que me inspira. Ele ouve musicas bonitas.
Ele não me ouve quando é para ouvir.
“Ooh woo.”
“...So if your lonely, why'd you say you're not lonely
Oh your a silly girl, I know I hurt it so
It's just like you to come and go
And know me, no you don't even know me
Your so sweet to try oh my, you caught my eye
A girl like you's just irresistible...”
O português é muito pequeno para os meus sentimento.
d- -b = Whistle for the Choir – The Fratellis
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