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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vida avessa.

Desde o começo eu nunca soube muito bem onde isso me levaria. Nem sei se queria realmente ser levada. Tudo bem, você pode me dizer que todos são assim. Mas eu não sou. Eu sempre quis alguma coisa, ou não queria nada. E quando eu queria, eu queria. E não importa tempo, tudo se concretizava.
Mas isso eu comecei de forma errada, ou de forma contraria ao meu costume. Me deixei levar... De verdade confesso que eu não queria. Mas fui me envolvendo, me levando e me enganando que queria sem querer. Eu me enganei por prazer. “Prazerzinho” confortável. Então me perdi nessa linha tênue , afinal eu queria ou não?! Já não sabia mais. Para não ficar dúvidas, decidi que queria. Mas certeza de nada tinha.
O tempo passando, meu Deus como o tempo passou. Agora conto cada gota de chuva. Cada suspiro meu. Cada música. Cada traço de pessoas nas ruas que me fazem lembrar. Cada tampinha de garrafa. Cada foto e sorriso sincero.
Meu sorriso ficou mais sincero. Não era pra ser ao contrário?! Quanto mais você vive mais triste você fica? Achei que era assim com todos. Mas não me permiti ser assim. Acho que nunca fui como todos. Tive um infância um tanto quanto platônica, acredito eu que infância é a base do que nos tornaremos. Quis me desprender essa “platônice” e me rebelei. Fui rebelde, daí cansei. Encontrei a linha azul-piscina dos seus olhos. Me admirei com cada detalhe do seu ser que me apresentou. Cada linha daquele olhar me contava contos encantados que eu admirada tenho prazer em assistir. Fui ficando encantada como uma criança que vê um mundo de fadas, gatos de botas e tantos outros animais coloridos e falantes.
Algo em mim foi se iluminando ao longo do tempo. E mesmo que as vezes eu tenha crises do sofrimento adulto, eu tenho em mim alma de criança. Alma de menina maluquinha que rouba um pouco de carinho e sai correndo mundo a fora.
Minha meninice me faz olhar ao sol, só para sentir a luz penetrar pelos olhos, sentir tudo mais iluminado mais claro. Me faz olhar todos os dias para aquela casa que tem um monte de gatos. Ah, como eu queria entrar lá um dia! Me faz sorrir pra e fazer brincadeiras bobas e travessas como uma menina que eu não fui.
Então percebi que minha vida é um pouco desorganizada. Estou vivendo que deveria ser quando criança. Fui uma criança velha, platônica, quieta, calma. Fui uma adolescente jovem. E de resto apenas espero pra ver. Sinto em mim, toda vida pulsando. Toda calma sorrindo. Toda alegria carinhosa.

E tudo sempre será como tem que ser.

sábado, 8 de maio de 2010

"Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura,
mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas;
alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo
a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que devemos sempre ter palavras doces e gentis
pois amanhã talvez
tenhamos que engoli-las;

Eu aprendi...
...que um sorriso é a
maneira mais barata de melhorar sua aparência;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto,
mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha,
mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;


Eu aprendi...
...que só se deve dar conselho em duas ocasiões:
quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas tenho para fazer!!!

Pros erros há perdão;
Pros fracassos, chance;
Pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é
romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o
medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que
esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive
já morreu."

Luís Fernando Veríssimo.




"Não sei se é certo fazer isso, mas encontrei esse texto e pensei um pouco na vida, espero que também pensem. Não sei se é do Veríssimo mesmo. Mas o importante mesmo é o conteúdo.  "

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

wicked game.



Acordei com vontade de andar um pouco. Me levantei vesti uma camiseta grande - era a camisa dele - ainda com o short de dormir e sai. Andei um pouco pelas ruas ainda pouco movimentadas. Ainda era muito cedo, o sol nem tinha nascido. Muito frio e eu me encolhia, mas continuei andando.
Passando por uma rua eu vi um lugar diferente, que eu nunca tinha visto, mas fui até la, era uma espécie de praça fechada, parecia esta abandonada a algum tempo. - Maravilha ... - resmunguei - Sentei em um dos bancos sujos, cheios de folhas, comecei a observar aquele lugar. Velhas árvores tortas que invadiam prédios velhos e muitas folhas secas, por todo lugar. Apesar de tudo eu me senti tão bem ali, que quase podia sorrir, por nada, apenas por estar ali.
Me deitei no banco, estava realmente muito frio, e a pedra gelada queimava onde tocava minha pele. As folhas se agarravam ao meu cabelo e mais outras caiam encima de mim, derrubadas pelo vento. Eu fiquei olhando aquele lugar tão lindo e tão sombrio, imaginando o que ele acharia disso.
Adormeci. Sonhei que eu estava caminhando numa praia fria, eu podia sentir o perfume dele, podia ouvir sua voz cantando uma música que eu desconheço, mas tão boa de ouvir, podia sentir seus olhos lindos me observando... Mas ele não estava em lugar algum. Eu girava meu corpo observando todos lugares possíveis, mas não via nada, ninguém estava la. Mas eu continuava andando, e me virando pra olhar para trás na esperança de encontrar ele. Tinha momentos que eu chegava a ver alguém, e andava mais rápido para ver, mas desaparecia e eu continuava meu caminho pra lugar nenhum.
Senti uma mão leve tocar meu rosto, acordei assustada, mas não havia ninguém. O sol estava nascendo e eu percebi que minhas roupas começavam a chamar atenção das poucas pessoas que passavam. Voltei para casa, tomei um banho quente vesti a camisa dele e voltei para minha cama. Agora observando o telefone, esperança tola. Mas eu tinha ao menos esperança.

domingo, 20 de setembro de 2009

sociedade




As mãos do pai estavam marcadas com sujeira, dos dias passados, percorrendo a estrada, bêbado e sujo. Em quanto isso, em ruas do norte estava a mãe, de dia servindo bebidas em um bar e de noite se servindo. Enquanto isso a única coisa que eu pude ver foi aquele pequeno sorriso, e os grandes olhos de medo. Todas as noite aquela criança se trancava em casa enquanto a mãe estava nas ruas, e quando a mãe retornava eram mais lágrimas de dor. E eu me pergunto do que essa gente reclama?
Um homem solitário caminhava na rua, e observando pude ver que ele chorava, -pobre maluco está aqui todos os dias.- me disse uma senhora. E eu pude ouví-lo falando sozinho. Ele dizia: -Porque você teve que ir embora? Você teve que ir embora. Mas eu sei que você tentou se despedir meu amor. Eu me mantenho aqui pela minha promessa, que porra de Deus que me tirou tudo que eu amava, porque não posso encontrar você amor? - E assim ele adormecia todos os dias no banco da praça em frente ao bar, visto como um pobre louco. E porque tanta gente acha que sabe que é sofrer?
Um homem aprendeu violino nos tempos de menino, perdeu tudo, passou a toca-lo na rua para ganhar algum dinheiro, mas ninguém que passava pode ter um momento para ouví-lo, todos apressados, todos atrasados, todos cansados e triste. (Que tristeza?) Me permití um momento para ouví-lo e descobri uma musica encantadora em um violino velho. Eu não tinha dinheiro, em troca ouví uma palavra de carinho, e uma bênção, palavras belas para quem sabe ouvir, que iluminaram meu dia. E eu me pergunto, o que é que ilumina o dia dos passantes?
Uma garota entrou num ônibus indo para escola, sem dinheiro para passagem um homem lhe retirou do ônibus, dizendo fazer a lei. E espancou a garota com o cassetete ali mesmo na frente de todos, todos vendo os gritos de dor, uns achando certo, outros nem olhavam, senhoras dizendo pobre mocinha. O ônibus passou deixando a garota tentando se levantar. E eu me pergunto, para que serviu isso ?
Então sociedade meu maior medo é fazer parte de você.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

dor





Primeiro ela caminhava em uma estrada. De um lado uma entrada para uma floresta escura. E lá foi na ela na sua trilha imaginaria. A escuridão causada pela pouca luz que entrava das centenárias e enormes árvores impedia saber exatamente a hora. De repente ela vê uma retangular caixa amarela, da altura do seu joelho. Sentado encima da caixa estava o homem com quem ela passou os dias na cabeça e nas lágrimas. Sem pensar corre e o abraça. Ele a abraça forte, ela ouve sua respiração seu calor, cheiro. Ele a afasta de seu corpo. Ela para com os braços flexionados com a mão em direção ao próprio rosto, olhando incrédula para ele, sentido apenas as lágrimas que teimavam em cair quente em suas bochechas. Então ela se impulsiona mais uma vez em direção ao amor, mas a floresta começa a afastá-lo dela, mesmo que ela corra em direção a ele de nada adianta, já que o chão se move agora, como se a terra debaixo dela levasse ela sempre pra mais longe dele. Ela ainda podia o ver, mas ele simplesmente a olhava, ainda sentado, sem se mover. E cada vez mais alto ela gritava agora, mais ela corria em direção a ele, mais longe dele a floresta levava ela. E então ela tropeça e cai, chorando, gritando, sem enxergar o que prende seu pé por causa das lágrimas. Então ela esta de joelhos no escuro da floresta fechada e não pode mais ver ele.
Ela acorda, chorando ainda em sua cama. Cobre o rosto para abafar o choro compulsivo. Levanta. Tenta apenas viver com a dor, todos os dias a mesma dor, todo dia a mesma maldita dor, como alguém enfiando uma faca nos seus pulsos e rasgando fundo, até o coração. Dor que muitas vezes a fez dormir em uma bola, sufocando no travesseiro, tentando apenas não pensar.
Ele agora pergunta se ela esta triste.
E ela responde, apenas para vê-lo bem:
- Não, não se preocupe.