sábado, 19 de dezembro de 2009

medo.


Paro um pouco para poder escrever em poucas linhas sobre o que ainda me resta. Céu acinzentado la fora, não é a bela “hora mágica”. E eu espero resposta pelo perdão que eu implorei. Eu tenho mudado tanto... jamais me imaginei pedindo perdão, e aqui estou eu, implorando, mas não tendo culpa alguma. O silêncio que antes me deixava ansiosa, agora apenas me serve para enfatizar a solidão. O barulho de crianças brincando, suas mães os chamando e o latir dos cães . Parece tudo tão distante. Estar sozinha é a última forma de que eu deveria estar agora.


A respiração descompassada. Coração acelerado. Vontade de chorar sem lágrimas. Isso se chama medo da perda. Porque o que eu tenho é medo de perder o pouco que conquistei. Eu só espero que esse medo um dia tenha fim. Porque das outras coisas eu já estou certa que tudo chegou ao fim.

domingo, 22 de novembro de 2009

acinzentadamente




Olhando o relógio, nem sei que horas são, ele já está parado a muito tempo e só agora acho que eu realmente sentí necessidade de consertar. Talvez porque só agora eu tive tempo para notar ele, mas eu acho que vou deixar assim por mais algum tempo.
Tempo...
Quanto tempo eu já estou aqui esperando eu não sei. Mas eu não me importo , eu não estou reclamando, tem certas coisas que eu aprendi a conviver com elas, a espera, o tédio, a solidão, são coisas que se aprende a conviver. E eu não me importo mais com isso.
Mas eu queria aprender a conviver com a desconfiança. Vinda de todo lugar e de toda forma, até das formas que nunca deveriam estar lá.
Penso nas vidas que cercam a minha, como será que estão todos nesse momento, será que alguém também está pensando na minha vida?
Tão escura a noite lá fora, e uma luz acesa ilumina a minha árvore amarela.
Amanhã começa minha vida monótona de novo, adeus relógio parado, adeus árvore amarela, é tão impressionante como isso que chamamos de viver nos faz deixar de ver a vida. Quando eu era criança eu costumava brincar a tarde toda, notando cada mudança de tempo, cada objeto mudado de lugar, cada cor de borboleta nova no jardim. Meio-dia eu ia olhar a flor-do-meio dia, quando ela estava aberta eu ficava conversando como se ela fosse uma amiga. A planta que dava a flor-do-meio-dia morreu, e eu não ví, a vida não me deixou ver. E o tempo eu olho na meteorologia, os objetos eu mesma mudo de lugar (e nunca sei onde estão) e as borboletas desapareceram por causa da poluição.
E minha vida, (que para muitos era solitaria) mas que eu amava tanto, ficou cinza, cheia de gente, que pisotearam tudo e tudo ficou desbotado.
E agora eu estou olhando pra uma tela, com palavras tristes, ouço sons tristes e eu estou esperando o que eu sei que não vai chegar, depois eu vou, tomo um banho, durmo, acordo para um dia movimentadamente acinzentado. Cheio de brigas, desconfianças, medos, esperas, risos ... risos tão acinzentados que eu tenho vergonha de rir. E todos dizendo que isso é o bom da vida.
Eu preferia viver minha solidão graciosamente doce e bonita.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tardes laranjas





Mesmo depois de dias aquela sensação continua. Acho que não melhorará até que você volte. Afinal problemas não se resolvem com distrações. Distrações que inexistem, pois ficar trancada em casa ouvindo música é uma péssima forma de distração, todas elas só me mostram mais a solidão. Ok, sendo sincera me distraio sim. Em dias onde chove o dia todo e no final da tarde a chuva para, para dar lugar a tardes laranja. Onde saio da minha toca pra tirar fotos, mas é engraçado que a câmera não captura essas coisas laranjas de fim de tarde que tanto atrai meus olhos. Algum problema comigo ou com a câmera? Não importa. A distração passa e os pensamentos dão lugar novamente aquela sensação, inexplicável sensação. Que tal um livro... talvez? Os livros novos já se acabaram, começo a ler o segundo de uma coleção novamente, o que me fez chorar mais, sei que me torturar não vai melhorar nada, mas posso viver minha solidão não posso?! Posso? A chuva voltou. Junto com ela mais lembranças de sonhos não realizados. O que busco para mim é ser altruísta, acho que estou chegando lá, nunca me sentí maior que os outros e quando isso começa a acontecer eu sempre caio de cara ao chão. Então tenho você para me dedicar, somente isso me deixa feliz. Até que você desaparece, fico sozinha. E então, não resta mais nada.
-Merda. - Ensopada por causa da chuva, acho que acabei de perder a câmera e o melhor livro. - Merda, merda, merda...
Ao correr para sair da chuva tropeço em alguma coisa tudo cai das minhas mãos. - Merda , merda, merda, merda...- O livro cai longe aberto, na pagina eu leio :


“- Eu prometo que esta será a última vez que você irá me ver. Eu não vou voltar. Eu não vou te envolver em nada assim novamente. Você pode seguir sua vida sem mais nenhuma interferência da minha parte. Será como se eu nem existisse. ”


Uma lágrima se mistura a chuva.

- Merda... esqueça isso.